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Noite tranquila. França pode avançar com novos recolheres obrigatórios esta terça-feira

Noite tranquila. França pode avançar com novos recolheres obrigatórios esta terça-feira

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, considera que os recolheres obrigatórios contribuíram para a "calma desta noite" e avança que novas medidas serão tomadas esta terça-feira “onde a situação o exigir". O governo prevê uma nova ronda de reuniões de emergência para esta terça-feira.

Cristina Sambado - RTP / Adicionar como fonte informativa
Abdul Saboor - Reuters

"Serão decididos novos recolheres obrigatórios" para a noite de terça-feira "onde a situação o exigir", anunciou o primeiro-ministro Sébastien Lecornu, um dia depois da entrada em vigor dos primeiros recolheres obrigatórios em França, que "contribuíram para a tranquilidade durante a noite".

Segundo o chefe do Governo, “estas decisões serão tomadas localmente, pelos presidentes de câmara [autoridades administrativas regionais], em articulação com os presidentes de câmara".

Depois de um fim de semana de violência particularmente intensa, sobretudo em Paris, a noite de segunda para terça-feira foi "tranquila", informaram também os bombeiros de Paris à AFP.

Durante a noite, um helicóptero da polícia sobrevoou o centro de Paris, utilizando um potente feixe de luz, para fiscalizar o cumprimento do recolher obrigatório.

A polícia estabeleceu ainda um recolher obrigatório, das 23h00 (22h00 em Lisboa) de segunda-feira às 6h00 (5h00 em Lisboa) de terça-feira, em duas zonas de Paris: a Place de la République, palco de distúrbios no sábado, e a região comercial de Les Halles, que tem sido alvo de pilhagens.


Em comunicado, a polícia informou que as medidas proíbem ajuntamentos e manifestações, além de impedirem a entrada ou a permanência de qualquer pessoa nas duas áreas delimitadas.

O presidente da Câmara de Paris, Emmanuel Grégoire, avaliou na segunda-feira à noite que o recolher obrigatório "deve manter-se como uma medida excecional". Esta medida "não deve tornar-se uma resposta duradoura à crise que atravessamos, nem restringir de forma desproporcional a liberdade de circulação", afirmou em comunicado.

Na segunda-feira, por volta da meia-noite, em Lyon — onde foi instituído um recolher obrigatório das 21h00 às 06h00 (20h00 em Lisboa às 05h00) na zona comercial de Presqu’île —, poucas pessoas ainda circulavam pelas ruas muito tranquilas, sob uma chuva miudinha, segundo um jornalista da AFP. Várias cidades, como Paris, Lyon, Lille, Bordéus e Nice, decretaram recolher obrigatório parcial em resposta à violência urbana ocorrida à margem das mobilizações contra o elevado custo de vida no sábado, 17 de outubro.

Embora algumas proibições se aplicassem, por enquanto, apenas à noite de segunda para terça-feira — como ocorreu em Paris —, outras, sobretudo em Bordéus e Nice, deverão perdurar por vários dias.

O movimento dos "coletes amarelos", que esteve na origem da mobilização de sábado em França, anunciou uma nova mobilização para este sábado. As principais organizações estudantis convocaram também novos protestos para sábado, exigindo melhorias nas suas condições de estudo.

Entretanto, os sindicatos franceses convocaram uma nova ronda de greves e manifestações para o dia 5 de novembro."Não precisamos do estado de emergência"
O ministro francês da Justiça, Gérald Darmanin, declarou à Europe 1-CNews que "não descarta, por princípio, o estado de emergência", mas, neste momento, não se mostra favorável à medida.

"Não precisamos do estado de emergência; não precisamos de privar todos os franceses da sua liberdade individual só porque temos alguns milhares de delinquentes e de arruaceiros", esclareceu.

Para Gérald Darmanin, a "firmeza" e as medidas de recolher obrigatório são suficientes. "As medidas de recolher obrigatório foram respeitadas pela população francesa" esta noite, elogiou.

Questionado pela Europe 1-CNews sobre o perfil dos "saqueadores" do fim-de-semana, o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, afirmou: "É uma delinquência predominantemente masculina, com 95% de homens". E acrescentou pormenores sobre a sua idade: "Houve menores de 13 anos, por vezes 15 ou 16 anos, mas também muitos maiores de idade — 70% são adultos."

Enquanto alguns líderes políticos estrangeiros acusaram a imigração de ser a causa da violência urbana em França, o ministro da Justiça apresentou uma constatação diferente: "Há de tudo", sublinhou. "Entre os detidos, há pessoas de origem imigrante, estrangeiros, mas também pessoas perfeitamente integradas, que são francesas."

Na entrevista, o governante revelou ainda que 121 pessoas já foram detidas em ligação com a violência urbana ocorrida no fim de semana.

"Pedi [aos procuradores] que sejam extremamente firmes, implacáveis com aqueles que atacaram polícias, gendarmes e bombeiros, que saquearam estabelecimentos comerciais e atacaram edifícios públicos", acrescentou.

c/agências 
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